Xavier Leclerc é o diretor do “sourcing retail” do grupo Auchan. Ele tornou-se o senhor do vinho do grupo de grande distribução, a seguir a ter dirigido o departamento de vinho da grande superfície Auchan de Ronq, primeira loja na Europa.
É provador no Concours Mondial de Bruxelles desde 2006.

Podemos quantificar a influência de uma medalha na decisão do consumidor quando compra vinho nas grandes superfícies?

A compra de vinho é a mais ansiogênica, compramos para agradar sem ter conhecimento e com a pressão de não se enganar.

Um corredor de vinhos num supermercado tem 80% das referências no campo de visão e 99%  dos nossos clientes não conhecem o vinho, as denominações ou as castas.

Imaginemos que eu sou uma mulher (nas grandes superfícies durante a semana, 85% dos nossos compradores são mulheres), o meu marido (que não conhece necessariamente mais do que eu mas que dá instruções), pediu-me para comprar um Châteauneuf du Pape para esta noite. Correndo o risco de cair num estereótipo e que as exceções me desculpem: o meu marido disse-me Chateauneuf du Pape, eu estou perdida no corredor, é preciso saber que se situa na Vallée du Rhône e não na Borgonha mesmo se a forma da garrafa é similar.

 Tenho quatro referências à minha frente, qual delas devo comprar? O mais caro é o mais seguro mas a diferença de preço vale realmente a diferença de qualidade? O mais barato corro o risco de ser o pior, então compro um no meio? Imagine assim, a força que uma medalha pode ter como elemento diferenciador neste contexto.

Pude observar que um preço igual e 15% mais caro, o vinho medalhado vende-se 20 vezes mais. Por isso como comprador, nós concedemos muita importância a estes elementos distintivos.

Todas as medalhas têm o mesmo valor?

Como profissional, utilizamos este método, havendo concursos que preferimos pela seriedade do seu método e organização. Entre os concursos internacionais, para mim o Concurso Mundial que merece mais a nossa confiança é o de Bruxelas. A qualidade dos jurados impõe um nível de exigência de prova em relação ao nosso próprio “know how” que eu não encontrei em mais lado nenhum. Para mim é a medalha que mais confiança transmite.  Quando recebemos os resultados, alerto os colegas para os vinhos medalhados na zona deles. A medalha do concurso mundial é uma ferramenta de seleção para as nossas gamas em todas as feiras de vinhos.

E as notas?

Para mim, são os profissionais que querem as notas, as pessoas os consumidores querem as medalhas. Então gosto de dizer que o meu patrão é o cliente, é ele que me paga.

Quais são as tendências de consumo que constata?

Ouvimos muito falar que o consumidor bebe menos, mas melhor e eu, confirmo. A minha geração gosta de bom e está disposta a pagar o preço e isso ainda é mais verdade na geração dos meus filhos. O preço médio gasto por uma pessoa entre 18-24 anos por una garrafa de champagne é de 23euros e uma pessoa de 40-55 anos gasta em média 18euros.

Em termos de saúde publica, não tenho dúvidas a encorajar o consumo responsável mais orientado para a qualidade que para a quantidade.

Não conheço ninguém que diga “mesmo se não é bom, não há problema vou beber na mesma, de qualquer forma compro vinho para ficar bêbado”.